A Europa está apelando para medidas emergenciais para manter a produção de energia de usinas nucleares, apesar dos efeitos da seca nos rios usados para resfriar os reatores.
Os países europeus apresentam as maiores mudanças de temperatura por causa do aquecimento global, e tem registrado calor recorde, neste verão do hemisfério norte.
A vazão do rio Danúbio, na Romênia, caiu para o menor nível da história nesta quinta-feira (6). Um terço da média para o mês de agosto. O país anunciou que vai afundar quatro balsas, carregadas de pedras, para desviar água para seu único reator nuclear em funcionamento.
Outro reator já foi desligado, segundo informou a agência Reuters. O governo romeno também deve cortar o fornecimento de energia para indústrias, de forma escalonada e com aviso prévio.
Os dois reatores, da cidade de Cernavoda, respondem por um quinto da eletricidade do país. Prefeituras, fábricas e igrejas também reduziram a iluminação para economizar.
Medida semelhante foi tomada na Hungria, país vizinho, que desligou a iluminação do parlamento em Budapeste, e de outros locais públicos. A baixa no rio Danúbio também forçou a Hungria a desativar parte de sua única usina nuclear.
Já na Eslovênia, a usina – que também abastece a Croácia – também reduziu a potência do reator para 20% da capacidade.
Naufrágios à vista
Na Sérvia, a baixa do rio Danúbio deixou à mostra as carcaças de dezenas de navios de guerra alemães da época da Segunda Guerra.
Ainda de acordo com a Reuters, os serviços de transporte de carga na Alemanha foram interrompidos no rio Reno, uma importante rota para o transporte de produtos.
A Itália também tomou uma medida inédita, nesta quinta. Colocou todas as principais cidades no nível mais alto de alerta sanitário, por causa das temperaturas elevadas.
O Vaticano chegou a transferir a primeira audiência semanal do Papa, após o recesso de julho, para um ambiente fechado, em vez de realizá-la na Praça São Pedro.