O avanço tecnológico impõe grandes dificuldades à segurança nacional para os próximos anos. A Abin, a Agência Brasileira de Inteligência, divulgou nesta terça-feira o Desafios de Inteligência 2026, segundo documento com a análise de cenários que mais chamam a atenção.
O relatório menciona riscos oferecidos pelo uso de inteligência artificial em ataques virtuais e na disseminação de desinformação; o avanço da computação quântica; além da dependência tecnológica de outros países.
A diretora da Escola de Inteligência da Abin, Anna Cruz, destaca que o documento é público. O que é curioso, já que uma agência de inteligência tem no segredo uma das principais ferramentas de trabalho.
O relatório traz ao público cinco pontos essenciais para a inteligência brasileira:
A segurança das eleições, que já é alvo de ataques que tentam tirar a credibilidade do sistema. O uso da inteligência artificial e de deepfakes para manipulação em massa, além da crescente influência do crime organizado na política.
A inteligência artificial ainda pode escalar os incidentes cibernéticos, ameaçando infraestruturas críticas com ataques automatizados. Isso aumenta o potencial de guerra de informação e ciberespionagem.
A chegada da computação quântica, que deve ocorre entre 5 e 15 anos, vai tornar obsoleta a criptografia atual – o código usado para codificar informações. Por isso, a urgência de se criar uma criptografia pós-quântica de estado autônoma, para enfrentar as futuras ameaças.
O relatório da Abin ainda destaca a reconfiguração das cadeias de suprimento globais, com aplicação de tarifas agrssivas e desvalorizção do dólar. O Brasil fica entre a dependência do comércio com a China e do capital e tecnologia norte-americanos.
Por fim, a dependência tecnológica de outros países é uma vulnerabilidade importante do Brasil, que usa estrutura de nuvem e dados em provedores externos. Essa situação abre espaço para ações sofisticadas de interferência externa.