Estamos todos torcendo pela conquista brasileira do hexacampeonato na Copa do Mundo. E em 2027 a torcida continua, mas desta vez por nossas meninas. Falta exatamente um ano para o início da Copa do Mundo Feminina. O mundial será disputado aqui no Brasil, e começa em 24 de junho do ano que vem. As seleções dos 32 países participantes vão jogar em oito cidades-sede. É a primeira vez que o torneio feminino será disputado na América Latina. 
Nem todo fã de futebol sabe, mas em 1988 foi realizado na China o Torneio Experimental da FIFA, que serviu de embrião para a criação da Copa Feminina. Passados 38 anos do evento, a campanha da seleção brasileira feminina que disputou o torneio é reconstituída no documentário “Brasil 88: Depois do Silêncio”, que estreou nessa terça-feira, dia 23.
Produzido pelo Ministério do Esporte, o filme resgata a trajetória das primeiras jogadoras brasileiras reconhecidas internacionalmente e destaca o papel da equipe na consolidação do futebol feminino no país.
“Brasil 88: Depois do Silêncio” reúne imagens de arquivo e depoimentos das atletas e mostra como a equipe conquistou o terceiro lugar em meio a dificuldades estruturais e a um contexto de forte preconceito. Entre 1941 e o início da década de 1980, o futebol feminino foi proibido no Brasil. Mesmo após a liberação, as jogadoras atuavam sem apoio financeiro e com pouca visibilidade.
Entre as atletas que representaram o Brasil no torneio de 88 estavam Cajú, Cebola, Michael Jackson, Russa, Fia Paulista, Suzana, Sissi, Lica e Pelezinha, para citar algumas das participantes. A campanha brasileira no mundial daquele ano teve início com derrota por 1 a 0 para a Austrália. Na rodada seguinte, a equipe começou a pegar ritmo, vencendo a Noruega por 2 a 1. Adversária que era considerada uma das principais forças da época.
Na sequência, as brasileiras golearam a Tailândia por 9 a 0 e garantiram a classificação. Nas quartas de final, o Brasil venceu a Holanda por 2 a 1. Na semifinal, voltou a enfrentar a Noruega, mas acabou derrotado por 2 a 1, resultado que tirou a equipe da decisão.
Na disputa pelo terceiro lugar, o Brasil empatou em 0 a 0 com a China. A partida foi para disputa de pênaltis. Com a vitória, nossa seleção feminina assegurou a histórica medalha de bronze.
Marisa Pires, a Cajú, capitã da Seleção Brasileira de 88, fala sobre o empenho da equipe, que acabou levando ao bom resultado.
“Foi muita persistência e muito trabalho. Nós largamos tudo para que nós possamos trabalhar, treinar, para que fizéssemos um bom campeonato, porque nós já sabíamos o que nós iríamos enfrentar lá fora. Então, equipes muito boas, então nós viramos uma família e nós falamos: “Nós temos que treinar, treinar, treinar”. Então nós treinávamos de manhã e à tarde, já pensando no torneio que nós íamos disputar em 88”.
A conquista do terceiro lugar mostrou o talento das atletas brasileiras. Roseli, atacante da seleção na época, destaca que foi essa garra que garantiu o resultado, porque as jogadoras receberam pouco apoio para disputar o torneio.
“Então, reconhecimento nós não tivemos nenhum. Não tivemos reconhecimento de governo, não tivemos reconhecimento da CBF, da FIFA, porque a o futebol feminino nessa época não era bem visto e bem quisto. Mas com essa dificuldade todinha a gente conseguiu alcançar o nosso objetivo”.
O filme “Brasil 88: Depois do Silêncio” foi lançado oficialmente em uma sessão especial no Cine Brasília, na capital federal, que contou com a presença de algumas das jogadoras homenageadas. O documentário deve em breve ficar disponível para o grande público nos canais de streaming do Ministério do Esporte.
*Com colaboração de Pedro Peduzzi.