Pressão pela demarcação de territórios. Essa foi a principal demanda da tradicional marcha indígena na manhã desta terça-feira (7). O movimento, parte da programação do Acampamento Terra Livre, saiu do Eixo Cultural Ibero-Americano, antiga Funarte, onde ocorre a reunião, e seguiu pelo Eixo Monumental até próximo ao Congresso Nacional.

Milhares de manifestantes carregavam faixas contra o Marco Temporal, a mineração, a exploração de água e a energia nos territórios. Um crânio gigante simbolizava a morte nesses locais causada por esses interesses.

O povo Pataxó, liderado pelo cacique Fred, puxou o canto para defender que o território seja demarcado. A região convive com ações violentas contra os povos tradicionais há anos por causa de terra.

“Mostramos o sul da Bahia, um dos maiores conflitos do Brasil, aonde várias lideranças indígenas estão sendo perseguidas, sendo presas politicamente para tentar adormecer as nossas lideranças para impedir que nós venhamos lutar pelo nosso direito. Porque há 526 anos, desde a invasão, que não foi descoberta, foi invasão, tiraram o nosso costume, a nossa tradição, mas não tiraram a nossa raiz. Por isso que nós estamos aqui, somos povos originários de raiz”.

César Maiurina, do povo Maiuruna, que vive no Vale do Javari, na tríplice fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru, pede segurança na região.

“Nós estamos aqui pedindo que o governo faça segurança pública para nosso território indígena. Tem muitos garimpos ilegais, pesca ilegal e tudo isso falta de segurança, porque a tríplice fronteiro falta segurança. Então, isso precisa para a nossa circulação do Rio do Vale Javari e Amazonas”.

De Alagoas, Cremilda Wassu Cocal trouxe demandas de saúde, educação e também a questão territorial. O povo vive na região do município de Joaquim Gomes.

“Hoje a gente enfrenta retrocessos políticos contra a nação indígena. E aqui é um espaço que a gente vem discutir a melhoria sobre nosso território, sobre nossa educação diferenciada, nossa saúde, o meio ambiente. E a nação indígena está aqui hoje para dar o grito, dizer que não mate os povos indígenas.”

No Mato Grosso, o povo Tapirapé enfrenta a pressão exercida por fazendeiros. Uma realidade que não se limita a onde vivem, diz Reginaldo Tapirapé.

“Mato Grosso é um estado muito forte do agronegócio, está tenso e isso está comprometendo a vida dos povos indígenas na região. Não só no Mato Grosso, no Brasil também em região toda. Muito conflito, criminalizando nossas lideranças, nossas mulheres, nossas crianças. Agrotóxico é acima de tudo, é o principal ameaça da nossa integridade física”.

Uma segunda marcha está prevista para quinta-feira (9). Desta vez, em direção ao Palácio do Planalto para reforçar a cobrança das demarcações.

O Acampamento Terra Livre termina no sábado (11).




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